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Porto Velho, sábado, 19 de Fevereiro de 2005 - 16:23

ASSOCIAÇÃO RESGATA A HISTÓRIA E DEVOLVE CRUZES ROUBADAS AO CEMITÉRIO DA MADEIRA-MAMORÉ.

Parte da memória de Rondônia foi resgatada neste sábado pela Associação de Amigos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), que devolveu ao local de origem, 11 cruzes roubadas do Cemitério da Candelária há cerca de um mês. O trabalho, que demorou mais de quatro horas foi feito sob a coordenação de Luiz Leite e Demetrius Lemos. As cruzes, originárias de sepulturas de trabalhadores da Madeira Mamoré ainda do início do século passado, haviam sido retiradas por pessoas desconhecidas e entregues a associação pela Polícia somente neste sábado.

O cemitério, tombado pela União Federal está completamente abandonado e não fosse o trabalho da Associação dos Amigos da EFMM nem mesmo sua memória existiria. De acordo com Luiz Leite, entre 1.907 e 1.912, pelo menos 1.552 pessoas, de diversas nacionalidades foram enterradas no local. Eles trabalhavam na construção da ferrovia e a maioria morreu não somente de doenças da região, como a malária, mas também outras moléstias. Após 1.912 há relatos que mais 4 mil pessoas foram enterradas na Candelária.

Tomado pela mata são raras as sepulturas que ainda podem ser encontradas no vasto local. São poucas cruzes recuperadas. Das 1.552 que com certeza existiam as recuperadas ou que ainda são visíveis não chegam a 50.

O maquinista José Evaristo, que trabalhou na ferrovia e acompanhou a recolocação das cruzes, contava um pouco de sua experiência ao longo dos últimos anos, a maioria vendo o patrimônio da Madeira Mamoré ser dilapidado. Luiz Leite também tem relatos e destaca que pessoas conhecidas no Estado também se apoderaram de parte do acervo. Cita por exemplo que no museu da EFMM existiam fotos famosas de máquinas, uma delas sumiu, mas ele foi surpreendido há alguns meses quando viu a mesma foto editada em um livro. “Isso é um acinte a nossa história, ao nosso povo e àqueles que deram a vida pela Madeira Mamoré”, avalia ele, um arquiteto que dedica boa parte da vida para tentar resgatar o pouco que existe da rodovia e mesmo assim ainda enfrenta problemas, como por exemplo, ingerências do Ministério Público e até mesmo do Ministério do Trabalho que recentemente queria multar a associação por considerar que era uma empresa.

Abandono completo

Antes de chegar ao cemitério, tanto jornalistas como turistas testemunham um quadro desolador: máquinas da Madeira Mamoré jogadas ao relento, tomadas por mato. Nenhuma preocupação em limpá-las existe e atualmente estão tão famosas pelo descaso oficial do que por pertencerem a uma centenária ferrovia.

CLIQUE AQUI E CONFIRA ALGUMAS  FOTOS

Fotos:
Juliana Chalita

Fonte:
RONDONIAGORA.COM
Autor: RONDONIAGORA.COM

 

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