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Porto Velho, sexta-feira, 27/01/06

Peça histórica em ruínas na margem do Madeira.

A máquina que revelou uma página da história da EFMM continua sendo deteriorada pelo tempo, mato e descaso no complexo da ferroviaia
A retro-escavadeira a vapor dos tempos da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) encontrada enterrada nas margens do rio Madeira, próximo ao galpão da Enaro, há quase um ano, tão cedo não será recuperada. A peça, que já havia parcialmente desenterrada por membros da Associação de Amigos da ferrovia em fevereiro de 2005, está agora coberta pelo mato. Outro problema é o nível do rio madeira que começa a subir engolindo o maquinário.
O achado teve grande repercussão na época por ter confirmado uma histórica suspeita: a de que operários da EFMM foram obrigados a jogar maquinários no rio nos tempos da ditadura obedecendo ordens de superiores que implantaram uma política de desativação de ferrovias para abertura de rodovias.
O superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Luiz Leite de Oliveira, explica que um arqueólogo de Minas Gerais, Fabiano Lopes de Paula, veio a Porto Velho para fazer estudos sobre a recuperação do patrimônio e só daqui a algum tempo dos trabalhos concluídos, o Iphan vai adotar providências necessárias junto aos órgãos competentes.
De acordo com o superintendente, existem problemas maiores para resolver no momento, como a deterioração da linha férrea do Cai N’Água e a prostituição que toma conta da região do complexo da ferrovia. “Por enquanto estamos fiscalizando de forma geral e cobrando providências da Gerência Regional do Patrimônio da União (GRPU) e do Governo de Rondônia que não têm como se esquivar por se tratar de um monumento nacional. Desde 1992 o Estado tem o domínio, posse e administração da Madeira-Mamoré. Só não entendo porque a GRPU ainda não fez a transferência em cartório para o Estado de Rondônia”, critica.
Apesar das reclamações, Luiz Leite se diz aberto ao diálogo com o Governo para resolver o problema do complexo ferroviário e diz saber que um problema que perdura por 25 anos não vai ser resolvido de uma hora para a outra. Ele destaca que o Iphan foi instalado em Rondônia para resgatar o patrimônio. Lamenta que há quatro meses um sino de bronze de 80 quilos e placa de bronze de locomotivas tenham desaparecido, assim como as cruzes do cemitério da Candelária. “Alguém tem que se responsabilizar por isso. O patrimônio histórico não pode ser dilapidado”, destaca.



Fonte: DIÁRIO DA AMAZÔNIA
Autor: DIÁRIO DA AMAZÔNIA


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